12.7.15

MEDIDAS DE SEGURANÇA PARA ÁREAS DE RISCO - ESPUMA E RESFRIAMENTO - Conceitos e definições - Para o dimensionamento do sistema de espuma e resfriamento devemos considerar o cenário mais crítico do parque de tanques - Este cenário é definido por duas premissas - Dimensionamento pelo maior risco - Não simultaneidade de eventos - Utilização do Canhão monitor - Ataque em tanque em chama - Resfriamento nos tanques adjacentes - MANUAL DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO NAS EDIFICAÇÕES E ÁREAS DE RISCO


MEDIDAS DE SEGURANÇA PARA ÁREAS DE RISCO

ESPUMA E RESFRIAMENTO

O abafamento e o resfriamento são métodos de extinção de incêndio que atuam diretamente na eliminação de um ou mais elementos do tetraedro do fogo.

O abafamento consiste em diminuir ou impedir o contato do oxigênio com o material combustível. Exceção aos materiais que tem oxigênio em sua composição e queimam sem necessidade do oxigênio do ar, como os peróxidos orgânicos e o fósforo branco.

O resfriamento é um dos métodos de extinção de incêndio mais utilizados, pois a água utilizada como agente extintor possui grande capacidade de absorver calor.

A redução de temperatura esta ligada à quantidade e a forma de aplicação do jato d’ água, de modo, que ela absorva mais calor que o incêndio é capaz de produzir.


Conceitos e definições

Sistema de Espuma é o conjunto de equipamentos que associados ao sistema de água especifico para combate a incêndios são capazes de produzir espuma e aplicar sobre líquidos inflamáveis em chamas , visando a extinção do fogo.

Sistema de Resfriamento é o conjunto de equipamentos que associados ao

sistema de água especifico para combate a incêndios são empregados para resfriar superfícies aquecidas, visando à extinção do fogo e evitando sua propagação.


Seguem algumas definições:

a)  bacia de contenção: Área constituída por uma depressão, pela topografia do terreno ou ainda limitada por dique, destinada a conter eventuais vazamentos de produtos;

b) neblina de água: Jato de pequenas partículas d’água, produzido por esguichos especiais;

c)  tanque: Reservatório cilíndrico para armazenar líquidos combustíveis ou inflamáveis;

d) tanque de teto cônico: Reservatório com teto soldado na parte superior do costado;

e)  tanque de teto flutuante: Reservatório cujo teto será diretamente apoiado na superfície do líquido no qual flutua;

f)    tanque horizontal: Tanque com eixo horizontal que pode ser construído e instalado para operar: acima do nível, no nível ou abaixo do nível do solo;

g) tanque vertical: Reservatório de base apoiada sobre o solo.


Aspectos operacionais A espuma é um agente extintor condutor de eletricidade e, normalmente, não deve ser aplicada na presença de equipamentos elétricos com tensão, salvo aplicações específicas.

Cuidado especial deve se ter na aplicação de espuma em líquidos inflamáveis que se encontram ou podem alcançar uma temperatura superior a ponto de ebulição da água; evitando-se a projeção do líquido durante o combate.

Os esguichos lançadores de espuma são recomendados para combate em tanques de até 6m de altura.

Para tanques com altura acima de 6m deverá ser utilizado o sistema de canhão lançador de espuma.

Caso seja necessário aproximar-se de um tanque em chamas fazê-lo através da proteção de linha manual com jato d’ água na forma de neblina, para evitar riscos desnecessários.

Caso a edificação possua sistemas fixos de resfriamento como canhão monitor e aspersores, deverá ser dado preferência para combate através destes tipos de sistemas, assim, evita-se exposição a riscos desnecessários.

Nos locais onde há um parque de tanques com produtos inflamáveis poderão ser encontrados sistemas manuais e/ou sistemas fixos de combate a incêndio com espuma, onde serão encontradas mangueiras, esguichos lançadores de espuma e proporcionadores de espuma, bombonas de extrato formador de espuma no caso de sistema portátil, canhões monitores e rede específica com extrato formador de espuma para combate a incêndio em tanques com grandes volumes.

O sistema de espuma e resfriamento por apresentar alta pressão de trabalho e grandes vazões, deve-se ter o cuidado em manusear o sistema existente da edificação para ocorrer acidentes com os lances de mangueiras e esguichos.

Deve-se ao chegar nos locais onde há parque de tanques solicitar o máximo de informações da brigada do local quanto à reserva de água existente para o sistema de espuma e resfriamento, o tipo de sistema instalado (manual ou fixo), pressão e vazão do sistema.


Para o dimensionamento do sistema de espuma e resfriamento devemos considerar o cenário mais crítico do parque de tanques. Este cenário é definido por duas premissas:

1.  Dimensionamento pelo maior risco;

2.  Não simultaneidade de eventos.


O dimensionamento pelo maior risco deve considerar o tanque que exigirá a maior quantidade de espuma para a extinção de incêndio, devendo ser levado em conta a área de superfície líquida deste tanque, tipo de produto armazenado (hidrocarboneto ou solvente polar), ponto de fulgor, taxa de aplicação (3% ou 6%), se serão empregados sistemas de combate fixo (câmaras de espuma) ou móveis (linhas manuais ou canhões monitores).

Durante o combate ao incêndio em um tanque a guarnição de bombeiros deve atender a seguinte estratégia: aplicação de espuma no tanque em chamas através de sistemas fixos (câmaras de espuma) ou sistemas móveis (linhas manuais ou canhões), aplicação de espuma no dique de contenção através de sistemas fixos ou móveis, resfriamento nos tanques vizinhos através de sistemas fixos (anel de nebulizadores) ou sistemas móveis (linhas manuais com esguicho regulável ou canhão monitor).




Quando se empregam sistemas móveis (linhas manuais ou canhões) é fundamental se verificar se existe um número suficiente de brigadistas para a montagem de linhas de espuma e resfriamento, devendo ser lembrado que haverá a necessidade de rendição das equipes de combate (equipes em reserva).



Os sistemas fixos podem ser operados por uma única pessoa bem treinada.

Portanto antes de se optar por uma estratégica é importante observar a logística disponível em relação aos recursos humanos.

Com o emprego de sistemas móveis, também é necessário observar durante as operações de combate a incêndios a direção dos ventos que dependendo da intensidade não permitirá o lançamento do jato de espuma dentro do tanque em chamas.

Por isso é importante ao projetista do sistema de proteção que localize pontos de tomada de água (hidrantes) em posições contrárias em relação aos tanques, possibilitando o combate por duas frentes distintas.

Outra verificação importante no uso de sistemas móveis é o ponto de cisalhamento do tanque, uma vez que é neste ponto que os brigadistas usarão para a aplicação da espuma. Apesar de raro, poderá ocorrer a não ruptura do teto de tanques verticais fragilizados em chamas, situação esta que impede a aplicação do jato de espuma.

Outro fator a ser observado durante as operações é a topografia do terreno.

A aplicação da espuma se torna mais fácil se o jato d´água for lançado acima do tanque, num morro por exemplo.

Para tanques contendo petróleo cru a atenção deverá ser redobrada com relação à distância de segurança, prevenindo-se o fenômeno conhecido como Boil Over que poderá ocasionar lesões às equipes de combate.


Uma lembrança importante ao iniciar as operações é que a quantidade necessária de espuma para o combate ao tanque em chamas deve ser disponível de imediato, pois não poderá haver interrupção na aplicação da solução de espuma sob pena de haver reignição das chamas.



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